O adeus de ‘Minotauro’: quem disse que existe hora certa de parar?

Rodrigo ‘Minotauro’ mira aposentadoria para o fim de 2015 – Eduardo Mitne

Rodrigo ‘Minotauro’ anunciou sua aposentadoria aos 39 anos – Eduardo Mitne

Os 16 anos de serviços prestados ao MMA garantem de longe uma posição de destaque na história do esporte ao peso-pesado Rodrigo ‘Minotauro’, que fez muito dentro dos cages, e ainda mais fora dele. E, não à toa, na mesma data em que anunciou o seu pendurar de luvas, o baiano foi oficializado como embaixador do UFC no País. Cargo merecido, com posição de destaque e poder de sobra para seguir influenciando o desenvolvimento das artes marciais mistas. Posição esta que não será afetada pelo final de carreira turbulento do ex-atleta de 39 anos.

Envolto a inúmeras lesões e cirurgias, o baiano escreveu as últimas páginas de sua vida profissional da maneira mais dramática já vista desde 1999, ano em que finalizou David Dodd em sua estreia no esporte. Foram quatro derrotas em suas cinco últimas lutas e, na última delas, acabou dominado do início ao fim dos três rounds por um atleta que está fora do top 10 da divisão. Feito inédito que comprovou: sim, já era hora de parar.

Mas, como manda o figurino no mundo esportivo, quem disse que é fácil parar? Ainda mais para quem esteve no topo por anos, foi o melhor do mundo, colecionou cinturões (foram quatros em diferentes organizações) e angariou legião de fãs no Brasil, EUA e Japão. Dar adeus à profissão que lhe deu fama e sustento, assim como reconhecer que não tem mais condições de fazer o que antes fazia com facilidade, é uma tarefa difícil, talvez herculana.

Lembra do baixinho Romário? Caso sim, então você se lembra quantas vezes pediram (seja imprensa, fãs ou amigos) para ele aposentar as chuteiras. Por sua vez, ele colecionou novos argumentos para postergar ao máximo o momento do adeus. Fez mil gols (contabilidade incerta até hoje), jogou nos EUA, voltou ao Vasco e, por fim, realizou o sonho do pai de vestir a camisa do América-RJ. Um final de carreira bem longe dos holofotes do ápice dos gramados, quando foi o melhor do mundo em 1994, ano que liderou o tetra da seleção nos EUA, certo? Mas quem se importa?

Parar no auge, ou no ‘momento certo’, se é que ele existe, vai muito além de números e estatísticas, muito menos comparações. Cada atleta tem a sua história, e cabe a ele definir como desenhará o final dela. De maneira dramática, triste, solitária, ou, quem sabe, vitoriosa. Rodrigo perdeu as últimas lutas, apostou alto e arriscou, como fez praticamente durante toda a sua carreira, encarar um rival mais jovem, pesado e forte em casa, na frente de sua torcida.

Muhammad Ali deu adeus aos ringues com duas derrotas seguidas, em retornos repletos de incerteza onde ele próprio teimou a aceitar combates que nada podiam lhe acrescentar na carreira ou na conta bancária. Também aos 39 anos, coube ao americano ser superado por pontos pelo jovem Trevor Berbick em outra de tantas páginas escritas em sua carreira. Nada que apagasse seus feitos.

E, assim como Rodrigo, Ali e Romário, atletas como Aurélio Miguel, Michael Phelps, Michael Jordan e tantos outros terminaram suas carreiras longe dos feitos de outrora. Mas, ao menos no esporte, quando o roteiro é acima da média, o final dele é o que menos importa. E a história fala por si só. Rodrigo ‘Minotauro’, o MMA agradece os serviços prestados.

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