Lyoto Machida defende Werdum após suspensão por doping: “Boto minha mão no fogo”

Lyoto Machida estreia no Bellator no próximo dia 15 de dezembro – Tobias Bunnenberg

A suspensão de dois anos imposta a Fabrício Werdum, flagrado em um exame antidoping realizado em abril, ainda dá o que falar. Embora o peso-pesado ainda não tenha comentado o caso publicamente, um amigo de longa data se adiantou para atestar a idoneidade do ex-campeão peso-pesado do UFC.

Lyoto Machida, hoje um atleta do Bellator, foi direto ao apontar Werdum como inocente, apesar dos resultados mostrados em laboratório. De acordo com a análise do carateca, testes realizados poucos dias antes e depois do exame em questão comprovariam que o peso-pesado teria um espaço de tempo relativamente curto para ingerir qualquer substância ilícita e ainda conseguir limpar seu organismo.

“Boto minha mão no fogo. Estamos juntos sempre. Conversamos muito, somos amigos, não teria porque ele mentir para mim. Por isso boto minha mão no fogo. E as provas também mostram. Ele foi testado 25 vezes e nunca aconteceu nada. Ele fez esses testes, dez dias depois fez outro teste e veio limpo. E antes daquele, outro exame também veio limpo. Não faz sentido na minha concepção”, narrou o veterano durante conversa com a reportagem da Ag Fight.

A declaração de Lyoto, vale lembrar, carrega conhecimento de causa. Punido pela mesma USADA (agência americano antidoping) por 18 meses após a coleta de um exame em abril de 2016, o também ex-campeão do UFC questionou a demora da análise da empresa. Afinal, uma vez afastado preventivamente, o atleta já sofre danos à sua imagem que uma simples absolvição nos tribunais meses depois não seria capaz de apagar.

Como exemplo, Machida relembrou o recente caso envolvendo os brasileiros Junior ‘Cigano’, Rogério ‘Minotouro’ e Marcos ‘Pezão’. Flagrados nos testes, os atletas foram impossibilitados de competir por meses, até que a própria USADA comprovasse que o resultado positivo nos testes foi causado pela ingestão de suplementos contaminados provenientes da mesma farmácia de manipulação nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

“Existe uma brecha grande. A lei é só para um lado. Cigano e Minotouro ficaram sem lutar. O que eles ganham com isso? E a imagem deles durante esses meses? […] Acho muito falho nesse quesito de tempo. Até ser resolvido o assunto é um ano. Existe burocracia muito grande em cima do julgamento. Se for para o julgamento, pode pegar pena máxima. Não tem sentido. Estou indo lá para me defender, e sou orientado pelo advogado: ‘Se você for para o julgamento, eles veem como ato de rebeldia e te dão pena máxima’. Não tem saída, é baixar a cabeça e aceitar. Sou a favor do controle do doping, mas não dessa politica”, desabafou.

Afastado das competições por 18 meses, nove dos quais cumpriu enquanto seu caso ainda era analisado pela entidade, Lyoto seguiu sendo testado de acordo com os parâmetros da USADA. Por isso, o carateca, que atualmente tem contrato com o Bellator e por isso está sob um controle menos rígido, garante não sentir saudades da pressão que sofria a cada amostra de urina ou sangue colhida.

“Por esse aspecto de não ser mais guiado pela USADA, me sentir sem pressão, saber que ninguém vai bater às seis da manhã na minha porta… Apesar de ser muito a favor da política do doping, a minha esposa desenvolveu síndrome do pânico depois do processo da USADA, foi um estresse muito grande com advogado e médico para provar. Durante nove meses, nós passamos dificuldades financeiramente, ficamos estagnados, porque a imagem praticamente foi queimada. Perdi sete palestras e um contrato de propaganda. […] Você fica com medo. Mesmo sendo inocente, mesmo não tendo feito nada. Será que tomei alguma vitamina errada? Você vai tomar uma proteína e fica com medo do shake estar contaminado. Pode perguntar para qualquer lutador do UFC, todo exame é uma tensão. Quando a USADA mandou a carta de rescisão foi um dia muito feliz [risos]”, finalizou, aos risos.

Aos 40 anos, Lyoto tem estreia no Bellator marcada para o dia 15 de dezembro, no estado americano do Havaí. Seu adversário será Rafael Carvalho, brasileiro ex-campeão dos pesos-médios (84 kg) do evento, que treina na equipe Evolução Thai.

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