Jon Jones reprova em novo antidoping, mas é liberado para competir no UFC 235; entenda

Jon Jones teve, de novo, dois testes positivos para substâncias proibidas- Diego Ribas

Mais uma vez, exames no corpo de Jon Jones revelaram a presença de substâncias proibidas pela USADA (agência antidoping americana). Assim como aconteceu antes do UFC 232, evento no qual retornou ao MMA depois de uma suspensão por doping, e em um teste posterior ao show, foram encontrados metabólitos de turinabol. A nova detecção, entretanto, não impedirá ‘Bones’ de lutar neste sábado (2) contra Anthony Smith.

A manutenção de Jones no card se dá pelo mesmo motivo que no UFC 232: segundo a USADA, a Comissão Atlética do Estado de Nevada e o UFC, tratam-se de resquícios da substância usada pelo campeão dos meio-pesados (93 kg) na ocasião de sua suspensão em 2017. Deste modo, usando uma conhecida analogia jurídica, ele não poderia ser punido duas vezes pelo mesmo fato.

A NSAC divulgou um relatório no qual detalha o processo de testes ao qual Jon foi submetido neste mês. Segundo o documento, avalizado pelo Laboratório de Medicina Esportiva e Pesquisa (SMRTL), foram seis exames: o primeiro, da USADA, em 1º de fevereiro, não detectou substâncias proibidas. O mesmo aconteceu na coleta seguinte, realizada pela VADA (Agência Voluntária Antidoping), no dia 9.

Os dois testes que encontraram picogramas do metabólito M3 no corpo de Jones foram feitos nos dias 14 e 15 deste mês, ambos pela NSAC. Jeff Novitzky, vice-presidente de Saúde e Performance do UFC, concedeu entrevista coletiva da qual a Ag. Fight participou nesta quinta-feira (28), em Las Vegas (EUA), e comentou o caso.

“Aqui estamos de novo. Novamente tivemos níveis baixos do metabólito M3 no Jon Jones. Isso não vai afetar a luta no sábado. Estava falando no telefone com Andy Foster, diretores da (Comissão Atlética) do Estado da Califórnia, seus advogados, conversei com o UFC. Todos nós concordamos que não é interessante que essa substância apareça toda vez que Jones lute. No entanto, baseado na quantidade de testes antidoping a que ele foi submetido nos últimos dois meses, esses recentes resultados positivos de níveis baixos são a melhor evidência do que os especialistas tentam nos explicar. Que, na verdade, não há reutilização dessas substâncias, assim como não há ganho de performance”, afirmou.

“Agora temos dois testes com baixíssimos níveis de picograma positivo, e também dois testes que deram negativo em cerca de uma semana e meia. Se houvesse reutilização dessa substância proibida, seria notado, porque haveriam metabólitos de curto e médio prazo”, explicou o dirigente.

Questionado pelos jornalistas presentes, Novitzky declarou que não sabe até quando o metabólito da substância proibida será encontrado nos testes antidoping realizados em Jones. Segundo ele, apesar da convicção de que Jon não fez novos usos do turinabol, ainda não há uma explicação cabal do porquê de os exames ainda darem positivo.

“Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares. Acho que nem a ciência sabe projetar atualmente. Mas, novamente, Jones não é o único atleta que já passou por essa situação, nem mesmo o primeiro no UFC”, encerrou.

Jon enfrenta Anthony Smith na luta principal do UFC 235, que acontece em Las Vegas (EUA), neste sábado. No ‘co-main event’, Tyron Woodley defende seu cinturão meio-médio (77 kg) diante de Kamaru Usman. O evento, que terá transmissão do canal ‘Combate’, tem início às 20h30, no horário de Brasília. O card principal está previsto para começar à meia-noite.