Minotauro lamenta críticas da torcida brasileira e anuncia aposentadoria para 2015

Veterano, que se recupera de cirurgia, pretende lutar mais duas vezes pelo UFC

Autor: Jéssica Portasio

Rodrigo ‘Minotauro’ mira aposentadoria para o fim de 2015 – Eduardo Mitne

Rodrigo ‘Minotauro’ mira aposentadoria para o fim de 2015 – Eduardo Mitne

Depois de alguns anos se dedicando ao esporte, o veterano profissional do MMA pode começar a experimentar sensações diferentes das que tinha no início da carreira. O desempenho dentro do cage diminui, a resistência já não é mais a mesma e, em muitos casos, as derrotas começam a se acumular nos cartéis.

Vendo a alternância entre triunfos e reveses, é comum que fãs cravem que o lutador deveria se aposentar imediatamente, e que a imprensa pergunte repetidamente quando o ato de pendurar as luvas acontecerá. Grandes nomes do esporte passaram por isso, como Randy Couture, Chuck Liddell e BJ Penn.

Ex-campeão dos pesos-pesados (120kg) do Pride e do UFC, Rodrigo ‘Minotauro’ vive essa situação atualmente. O baiano, que está se recuperando de uma operação no joelho, não luta mais do que uma vez por ano desde 2009 e está na primeira sequência de derrotas de sua longa carreira. O veterano, no entanto, não concorda com esse tipo de especulação sobre o encerramento de sua vida profissional no MMA, e desabafou sobre as críticas que recebe em entrevista à Ag. Fight, realizada após um seminário na Team Nogueira Casa Verde, em São Paulo.

“Querem apressar a nossa aposentadoria. No Brasil, o pessoal é muito crítico. Hoje eu estava em uma universidade falando sobre o que os americanos fazem de melhor no esporte, que eles incentivam os atletas, e citei o Rubinho Barrichello, que se tornou piloto porque ganhou um capacete do Ingo Hoffmann quando era criança. Daí já começaram a falar ‘ah, o Rubinho’ (em tom de crítica). Um cara que ganhou várias provas de Fórmula 1, super corredor por mais de 15 anos, e o pessoal ainda meteu uma crítica, como vão meter para mim quando eu perder uma luta. O Brasil, mesmo perdendo, ainda ficou em quarto (na Copa do Mundo). O pessoal prefere falar mal, prefere atacar o esportista em vez de incentivar”, lamentou o veterano.

“Você vê a carreira do Randy Couture. São duas vitórias para cada derrota, e ele é tratado como ídolo. É o Capitão América, ídolo nacional. Eu tenho quatro vitórias para cara derrota, e dizem que eu preciso me aposentar. O brasileiro é muito crítico, e acho que é uma mentalidade ruim para o atleta. O atleta, principalmente o mais experiente, precisa de incentivo. Ele precisa da torcida”, declarou.

Lutando profissionalmente desde 1999, Minotauro já considerou a aposentadoria há alguns anos, quando, entre o fim de 2010 e o começo de 2011, passou por cirurgias nos dois lados do quadril e em um dos joelhos, ficando praticamente sem andar por meses. Entretanto, o retorno do UFC ao Brasil para a realização da primeira edição do UFC Rio deu ao veterano um incentivo para acelerar a recuperação e voltar ao octógono. No evento, em agosto de 2011, ele nocauteou Brendan Schaub no primeiro round.

Apesar da superação, o lutador continuou a batalhar contra as lesões sofridas dentro e fora dos cages, que o afastam das competições por longos períodos. É por conta das numerosas contusões e visitas às salas de cirurgia que Minotauro pretende completar as lutas que tem no contrato com o UFC e pendurar as luvas no final de 2015.

“Eu sei que não vou lutar para sempre. Estou focado no business da academia. É um trabalho bonito, temos 9 mil alunos, 32 academias. Rodo o Brasil inteiro divulgando, pegando criança no colo, chamando de campeão e incentivando. Pretendo no final do ano que vem encerrar a minha carreira, acredito eu. Mais um ano. É até o meu corpo aguentar. São muitas contusões, e estou me dedicando a outras coisas. Na hora eu vou ver. Tenho mais duas lutas no contrato, e aí estou parando”, disse.

Minotauro, de 38 anos, conquistou 34 vitórias e sofreu nove derrotas ao longo de sua trajetória no esporte.

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